"O que os olhos não veem o coração não sente."
Olhei para a expressão em um muro da cidade e acabei escrevendo sem sentir sentindo este artigo.
Se tivesse que viver de olhos fechados com certeza já saberia o roteiro certinho do dia. Era só sair de casa, apertar o botão, o único centralizado do elevador, o T de todo dia. E quando sentisse um pulinho, eu seguia em frente, ele chegou e a porta se abriu.
Seguiria a pé para o trabalho atrás daqule cachorro que corre junto do dono pela manhã. Acho que deve ser raiva de acordar cedo e correr sem rumo, que ele costuma marcar o caminho por onde passa e por onde eu passo. Isso é rotina, de olhos fechado ou não. E se isso significa dinheiro, estou rica.
Depois, iria para a faculdade. Chegando lá, subiria o máximo de degraus que conseguisse e que não conseguisse. Quando sentisse quase a falta da gravidade, com certeza já saberia que estou no caminho certo: perto do céu e da minha sala de aula.
Desceria em queda livre e aproveitaria para conferir se estava no lugar certo. É só seguir o fluxo; ai então, ou eu me perderia no pilotis, que é um trânsito sonoro, ou então seguiria em direção à porta principal, e era só verificar se há alguma concentração de panfletagem. Se sim, fato que é a minha faculdade.
Saindo de lá, continuaria seguindo em frente, passaria bem devagar pelos salgados, e logo, logo chegaria ao ponto. Entraria no ônibus mais frio, e só acertaria o caminho de volta pra casa, se sentisse o frio na barriga durante a subida e descida de pista quase em frente ao Fashion Mall.
Mais a frente, o pingo caiu no parabrisa? Pronto, passei na entrada do último túnel para a Barra. É sempre assim, o pingo me espera. Se eu enguiçasse exatamente naquele ponto, acho que nasceria mais uma cachoeira nesse Brasil.
Passando do pingo, teria que ouvir milhares de vozes cantarolando em tom de rap os nomes de shoppings para ter certeza de que estou no Barra Shopping.
Mais um pouquinho, de novo o pulinho, saio do elevador e estou em casa.
Assim vivi hoje. Agende uma hora no seu oftamologista, use o colírio para dilatar a pupíla e entre nessa onda. Aproveite!
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sensacional! só faltou dizer que dá aquela dobradinha no joelho pra sentir o elevador pular direitinho! hahaha te amo prima! vc é demaiss, me surpreende sempre!!! beijo enormee, orgulhooo
ResponderExcluirhahahaa Aquele pingo ali é lei. Tem que cair quando passa.
ResponderExcluiradorei o seu post...deu ate vontade de ir no oftamologista so pra ver se eu consigo me virar sem ver nada...rsrsrs ia ser mt engraçado...
ResponderExcluircontinue assim...e nao pare de escrever...
bjsss orgulho