Olho de longe e vejo “2016”, faço o sinal e me preparo pra corrida quilométrica do ponto até o lugar que o nosso público Mercedes resolve parar. Só depois de subir a escadinha reparo que o letreiro é apenas o ano da candidatura do Rio aos Jogos Olímpicos de 2016. O pior é que estava no ônibus 179. Entrei no errado, mas deu tempo de voltar por causa da fila. Esperei o real 2016. Que idéia! Por que não fazem essa propaganda no próprio 2016? Assim pelo menos eu confundiria certo.
Faço novamente o sinal e entro no ônibus sem mais erros. Tenho que pagar o cobrador. "Putz, as moedas se perderam naquele bolsinho que estava separado". Mas acabo encontrando o dinheiro da xérox e vai aquele mesmo. Pronto, estou liberada para passar. O difícil agora vai ser passar naquela roleta que não roda: ou eu sou fraca e as minhas 500 sacolas estão me fazendo andar pra trás ou então, não tenho aquela barriguinha de chopp sagaz suficiente para empurrar a roleta para frente. Juntando com aquela freiada, quase que fico estampada no vidro da frente. Lá vai a terceira fase da maratona: fico em pé, sacudindo junto com os demais companheiros. Esbarro no cara atrás de mim, peço desculpas. Reparo que é meu professor, que está do lado da minha vizinha, atrás do meu amigo, de frente pra gordinha do trabalho, em cima do meu cachorro, de costas pra mim. Ê lelê, rodei 360 graus, fiquei tonta e enjoada, esses são os sintomas da trajetória. Alguém levanta e vaga o banco, do lado de um velhinho que dorme em pé mesmo sentado, paradoxal, né? De repente a sua cabeça que devia estar reta, está quase no meu ombro. Fui dando uma discreta distanciada, e de repente a cabeça cai pro lado, sem apoio. Ele leva um susto, dá aquele tremelique típico “onde estou? Quem sou eu?”. O seu ponto chega, ele levanta correndo e em um segundo já estava lá fora, só não saiu pela janela porque era trancada. Vou rapidamente pro lugar dele, a janela, toda feliz, achando que estava indo pra classe executiva de um avião e que me iam servir uma Coke com gelo e limão. Sigo viagem observando a vista panorâmica dos carros que passam pela pista ao lado. Da pra ver e saber tudo: se o motorista tem barriga, qual a rádio que ele escuta, se dirige descalço, se tem filhos pequenos, mulher, ou se costuma tirar a hora do almoço no carro mesmo (almofadas e bichinhos de pelúcia no bando de trás). Aí, o ônibus só fica devendo ver se ele era ou não careca. Mas se for um carro conversível, ponto pro ônibus e para a mais nova tecnologia de fofocas tele-móveis.


sensacional! tudo bem q eu ainda nao constumo passar por essas aventuras hahaha mas imagino claramente depois desse texto! excelente! beijos primamaiscriativadomundo!
ResponderExcluirhahaha adorei!!!
ResponderExcluirvc passa por isso???????
hahaha que viagem hein? Sei bem o que é isso.
ResponderExcluirrealmente essa viagem é emocionante.... passo por isso todos os dias...acordando as 4 da manha pra sair conrrendo de casa pra pegar o 996 na gavea...e na volta(acho que pior do que onibus ou melhor...nao sei)eu pego as barcas de niteroi para o rio. Isso que é tumulto, tem que ver quando abrem as portas para ir ate as barcas...o pior é que eles abrem as portas e ainda ficamos esperando as barcas chegarem...um absurdo...bom passado isso ainda tenho que pegar o 2016 com uma fila enorme para entrar...mas dps disso é tranquilo eu sento,coloco o fone de ouvido e durmo até o meu ponto ou até o ponto mais adiante pq eu sempre durmo alem da conta...heheehe
ResponderExcluirbom adorei o seu post...
continue assim
obs: quem sabe talvez a gente se encontre por ai num 2016 da vida...ai nós podemos conversar que tal??
heheheheh
bjsss